A RESSURREIÇÃO DE JESUS
Os que viram Jesus
expirar na cruz provavelmente saíram do Gólgota convencidos de que tinham
assistido ao fim de um belo sonho. Devem ter sido bem poucos os discípulos de
Jesus que ainda depositavam alguma fé em suas promessas. Os mais decepcionados,
porém, não foram os discípulos, mas os inimigos de Jesus. Tiveram pouco tempo
para se regozijar, pois apenas algumas horas depois do que parecia o desfecho
final de uma empreitada triunfal recebeu dos guardas a notícia de que o túmulo
se encontrava vazio.
Se os Evangelhos se
restringissem ao túmulo vazio como provas de que Jesus não permanecia mais
entre os mortos, a afirmação dos guardas poderia ser aceita, mas se ele
apareceu vivo entre os vivos, a questão se coloca diferente. “Por que buscais
entre os mortos ao que está vivo?” (Lc 24,5). “Ele não é Deus de mortos, mas de
vivos” (Mt 22,32). Jesus associou a sua morte, voluntariamente assumida, à
promessa solenemente repetida de ressuscitar (Lc 9,22). Jesus não só previu sua
morte, mas até chegou a lhe fixar o tempo de duração: será morto, mas “ao
terceiro dia ressuscitará”.
A Ressurreição de Jesus.
1) Após a sua morte
Jesus ainda ficou com os seus durante 40 dias. A intenção era clara: além de
prepará-los para viverem sem a sua presença física, as aparições tinham a
finalidade de eliminar de sua fé qualquer dúvida referente à sua ressurreição
dentre os mortos. “Irei adiante e preceder-vos-ei na Galileia” (Mc 14,28). Foi
na Galileia dos gentios que Jesus iniciou sua vida pública e é lá que queria
encerrá-la. Longe de Jerusalém e de tudo o que a Cidade Santa simbolizava no imaginário
popular. No meio da natureza, à beira de um lago com o Monte Hermon, a montanha
mais alta da região à vista, é ali que Jesus se sentia verdadeiramente em casa.
2) O apóstolo Paulo
atribui à Ressurreição de Jesus um caráter primicial. “Ressurgindo dos mortos
Jesus tornou-se o primogênito de uma nova humanidade. Ele, Cristo, é o
primogênito dentre os mortos” (Cl 1,18).
A Ressurreição de Cristo
é uma das verdades angulares da fé cristã. O apóstolo Paulo não se cansa de
associar à ressurreição de Cristo a ressurreição de todos aqueles que nele
depositaram a sua fé. O apóstolo Paulo chega a afirmar que se Cristo não
ressurgiu dos mortos, também nós não vamos ressuscitar (I Cor 19,16). Chega a
inverter o raciocínio ao afirmar: “Se os mortos não vão ressurgir, então Cristo
também não ressuscitou” (I Cor 15,16).
Para o apóstolo Paulo
Cristo seria o maior impostor que a história conheceu “se não tivesse
ressuscitado dos mortos, pois toda a nossa fé seria vã no caso de ele não ter
ressuscitado” (I Cor 15,17). Tão vã como a nossa fé seria a ressurreição de
Cristo, caso o universo todo não tivesse ressuscitado com ele. Foi Santo
Ambrósio que carimbou a expressão segundo a qual o universo inteiro deixou de
ser o mesmo depois que Cristo ressuscitou. “In
eo surrexit mundus”, diz Ambrósio.
A dimensão cósmica da
ressurreição de Jesus, envolvendo por igual místicos e cientistas, poetas e
historiadores, antropólogos e teólogos é tão fundamental, que qualquer
concepção antropológica bairrista deve ser descartada, a limine, como defeituosa e viciada. Não é somente o teólogo que
precisa tratar o cientista com mais respeito. É também o cientista que precisa
de mais humildade. O “Cogito, ergo sum”
de René Descartes, só expressa a metade de uma verdade maior. O místico se põe
em combate com esta verdade maior através de oração. Pois é além das fronteiras
determinadas pelo pensamento que o Logos Divino se encontra à espera da
consciência do homem.
Padre Marcos Bach
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